terça-feira, 18 de maio de 2010

O Legado


O legado de Cristo
1Pe 4.1-6


Legado é um bem que alguém deixa para as gerações futuras. Pensando nisso o salmista escreveu: “Recebi os teus testemunhos por legado perpétuo” (Sl 119.109-111).
A primeira carta de Pedro é chamada “a epistola da esperança”. Pois ela traz esperança aos crentes que viviam num ambiente de sofrimento e numa expectativa de que este sofrimento iria aumentar. Uma esperança viva baseada na vida, ressurreição e volta de Cristo.
• Pedro enviou esta carta de Roma por volta de 64 d.c., aos cristãos, judeus e gentios, que viviam no norte da Ásia Menor (hoje a Turquia). Cristãos que estavam a cerca de 1600Km espalhados nas províncias do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1Pe 1.1). Nero era o imperador da época.
Entre suas crueldades destacam-se as seguintes:
1. Prender os crentes e coloca-los nos postes pegando fogo para iluminar a cidade.
2. Incendiar Roma para que o fogo o inspirasse à escrever um poema.
3. Colocou a culpa do incêndio nos cristãos. Estes odiados foram crucificados e mortos por feras.
• O apóstolo procurou levar seus leitores a refletirem sobre dar testemunho, mostrar alegria e a terem coragem em meio ao sofrimento. Principalmente porque a causa deste sofrimento era por estarem fazendo o que era certo. Ou seja, seguindo a Cristo.

Mas, para enfrentarem as dificuldades Pedro dá a eles dois conselhos:

1. ARMEM-SE (v. 1-4) - Armem-se do pensamento de Cristo.
• O termo militar armar-se, muito usado nos campos de batalha, dá a idéia de equipar-se com armas. Neste caso, como foi empregado, mostra a necessidade de estarem armados, pois estavam envolvidos em uma guerra. No entanto, as armas que deveriam ser usadas neta guerra não eram as convencionais como a lança, e a espada e sim as armas divinas, aquelas que Cristo usou. Pedro que em outros tempos teria mandado desembainhar as espadas para a luta, como foi sua atitude no episódio da prisão de Jesus (Jo 18.10), agora orienta, não para se armarem de espadas, e sim “da mente de Cristo”.
a. Que sofreu na carne para que vencessem as tentações futuras (v.2).
• Se os sofrimentos provocaram a morte do Senhor, dando solução ao problema do pecado. Para eles, os sofrimentos presentes ou futuros são sinais da identificação com Cristo e um meio de adquirir a santificação. Pedro exorta para compromisso da vida cristã para “o tempo que resta na carne”, ou seja, o tempo da vossa vida. Esta exortação era para mostrar como deveriam se portar a partir do momento que se converteram a Cristo até o dia do encontro com ele, ou seja, teriam que viver o cristianismo na prática. Eles teriam que escolher entre continuar nas mesmas práticas que tinham antes, descritas a seguir no verso três ou satisfazer a vontade de Deus e viver de acordo com os princípios estabelecidos por Ele. Estes mesmos pensamentos também estão nos escritos de Paulo diz: “Antigamente vocês viviam na escuridão; mas, agora pertencem ao Senhor. Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz,” (Ef 5.8).
b. Que sofreu na carne para que fossem libertos das paixões mundanas (3).
• Pedro procura trazer à memória dos seus leitores a vida que tiveram no passado. Com ironia ele enfatiza que esse tempo já foi o bastante, pois levavam uma vida desprezível, insignificante e sem valor. Este tempo, que eram adeptos às paixões mundanas não resultou em nada, portanto não deveria ser seguido.
c. Que sofreu na carne para que suportassem as provações do presente (v.4).
• A expressão “por isso” representa uma seqüência lógica de vida. O rompimento com o modo de vida dos gentios seria dizer não, a tudo que eles achavam normal. Esta mudança de vida dos seguidores de Cristo aos que foram seus companheiros de orgia causa choque. Um choque tão grande que, surpresos falam mal e perseguem aqueles que não participam das suas festas. Podemos imaginar a situação vivida por eles. Poderiam estar sendo acusados de orgulhosos e de não seguirem os costumes. O termo concorrer significa andar junto, concordar e estar em harmonia com outro. A idéia aqui é que querem a companhia dos crentes, para concorrerem com eles em busca dos vícios e paixões, atirando-se no mesmo lodaçal de deboche esses escreve Pedro “como brutos irracionais, falam mal daquilo que não entendem e na sua destruição também hão de ser destruídos” (2 Pedro 2.12). A resposta deles àqueles que lhes causavam dor deveria ser o exemplo deixado por Cristo
2. CONSOLEM-SE (v. 5-6) - Consolem-se na esperança de Cristo.
a. Porque todos terão que prestar contas (5).

• O acerto de contas certamente virá, diz Pedro. O termo usado aqui dá idéia de pagamento total daquilo é devido. Cada homem será julgado de acordo com as suas obras, porque sua vida será aberta como um livro. João escreve: “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.” (Ap 20.12). E as tentativas de defesa serão vãs, pois o débito é imenso.
b. Ao que é competente para julgar (5).
• Tanto o Pai quanto o Filho serão o Juiz daquele grande e definitivo dia. Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos (At 17.31). Talvez, o pecado seja esquecido pelos homens, mas Deus haverá de relembrar tudo quanto foi praticado, a fim de que se manifeste a justiça.
c. E que dá a recompensa ao justo (6).
• Pedro, além de tudo que foi dito, ressalta algo muito importante, ou seja a recompensa do justo. Aqueles que hoje estão mortos ouviram a pregação do evangelho quando ainda vivos. Por causa de haverem confessado a Cristo, quando viviam, foram julgados e condenados pelos homens e "de acordo com os padrões dos homens". Viveriam segundo Deus no espírito. Ou seja, viveriam como Deus vive, isto é, eternamente. Aquele Juiz competente (v. 5) recompensaria a todos os que permaneceram fiéis nas promessas do Senhor. Entendemos que durante todo o contexto Pedro procurou trazer uma forma de consolo em meio ao sofrimento, dai a necessidade de se falar sobre os que já haviam partido. Pois qual o maior consolo para os que estão vivos, senão saber que seus irmãos que morreram, depois de passar tantas dificuldades físicas, vivificados no espírito. A resposta deles àqueles que lhes causavam dor deveria ser a esperança que tinham em Cristo.
• Cristo deu o exemplo sofrendo na carne, para que fossem libertos das paixões mundanas no passado. Agora eles deveriam armar-se do mesmo pensamento, para vencerem as tentações futuras, não levando em consideração as provações do presente, pois o consolo virá mediante o justo juízo de Cristo.
Deus abençoe
Pr Saulo César

Dia das Mães

B o n s E x e m p l o s
2Tm 1.5

• O apóstolo Paulo, homem tão admirado por tantos Cristãos, também tinha um homem que ele admirava. Quando a igreja em Corinto enfrentava sérios problemas como: imoralidade, contendas entre irmãos, divisão. Paulo mandou um jovem em seu lugar. Ele mandou Timóteo. 1Co 4.16-17 "Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. Por esta causa, vos mandei Timóteo, que é meu filho amado e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo Jesus, como, por toda parte, ensino em cada igreja". Timóteo certamente recebeu muita instrução ao lado de Paulo. Mas, no final da sua vida, Paulo já velhinho, ao escrever ao seu discípulo amado menciona a lembrança que tinha dele. A lembrança que Paulo tinha era de um jovem que possuía uma fé sincera. “a mesma que habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice e que ele também possuía” (2Tm 1.5).

Suponho que se Timóteo fosse relatar os exemplos que teve de mãe na infância ele diria:


Mãe lembro muito bem quando em oração pedia a Deus que me conduzisse sempre pelo Bom Caminho. Contigo aprendi que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Mãe lembro muito bem quando me levava para cama e ao me beijar dizia “Filho, boa-noite, dorme com Deus”. Hoje sinto seus beijos seu amor e Deus ao meu lado.
Mãe lembro muito bem quando me mandou fazer algo e eu desobedeci, levei umas palmadas, chorei muito, mas depois também a vi chorando. Depois aprendi que a minha desobediência causa dor, a Deus, a mim e a ti.
Mãe lembro muito bem quando lia a Bíblia e depois explicava que era a Palavra de Deus. Assim acreditei que Deus existe. Hoje guardo no coração a sua Palavra.
Mãe não me lembro quando estava no seu ventre, porém sei que desde antes de nascer fui amado, pois você me disse depois: “Filho você é minha herança. Um grande presente do SENHOR” (Sl 127.3).
Mãe muitas vezes eu a observei. Hoje agradeço a Deus pela mãe que tenho. Obrigado. Te amo.
As palavras escritas acima podem ser suposições, mas não deixam de servir de lições. Primeiro para que as mães sejam exemplos para seus filhos e segundo que os filhos sigam os exemplos de sua mãe.
• Numa apresentação na igreja um menino esqueceu a parte que ele ia citar das Palavras de Jesus. A mãe dele estava sentada na fila da frente, e não agüentou o constrangimento do filho.
Ela se inclinou em direção a ele e cochichou “Eu sou a luz do mundo”. O menino falou em voz bem alta “Minha mãe é a luz do mundo!”

Deus abençoe mamãe
Pr Saulo César

JOQUEBEDE

O senhor é minha Glória
Ex 2.1-10


• “A mulher de Anrão chamava-se Joquebede, filha de Levi, que deu a luz a três filhos no Egito; Arão, e a Moisés, e a Miriã, irmã deles” (Nm 26.59).

1. A fé lhe deu coragem.
Joquebede tinha uma fé verdadeira. Ela mostrava isso no seu dia a dia. Seu nome: “O Senhor é minha glória". Sua herança era seu filho: “Filho você é minha herança. Um grande presente do SENHOR” (Sl 127.3). Sua situação: Pelo fato do povo de Israel crescer e se fortalecer Faraó viu nele uma ameaça. Faraó pensava "se isso continuar, nos seremos os servos e eles os senhores". Sendo assim, o novo Faraó fez um decreto dizendo que todos os filhos homens deveriam ser mortos ao nascer. Há dois fatos comprovam que Joquebede foi uma Mãe corajosa.
A. Ela manteve o filho vivo mesmo sabendo que poderiam ser mortos. “Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.
B. Ela confiou seu filho nas mãos de Deus. Quando ele já era grande e barulhento demais para ficar escondida ela fez uma pequena cesta flutuante de bambu, tampou os buracos com piche (asfalto), pôs Moisés dentro e a colocou no rio. Agora estava sob os cuidados de Deus.
2. A fé lhe trouxe bênçãos.
Como sempre, Deus fez uma obra maravilhosa.
• A filha do Faraó foi ao rio banhar-se e, lá, encontrou o bebê Moisés. Em vez de matá-lo, de acordo com o decreto do rei, ouvindo-o chorar, teve compaixão. Escondida Miriã, a irmã de Moisés acompanhava tudo e propôs arranjar uma criada para criar Moisés e quem você pensa que arrumou? Isso mesmo, a mãe de Moisés. Ela criou seu próprio filho para o Senhor, sob o custeio do Faraó.
3. A fé produziu resultados.
• Como são importantes os primeiros anos da vida de uma criança! “Ensina a criança no caminho em que deve andar” (Pv 22.6). As sementes plantadas então no coração inocente brotarão mais tarde, produzindo doces e suculentos frutos de fé, honestidade, fidelidade e amor.
• Joquebede, mãe de Moisés, destaca-se porque soube aproveitar o tempo da infância de Moises. Pensa-se que Joquebede teria convivido com o seu filho Moisés entre seis/sete anos. Mas ela soube aproveitar bem este tempo. Em tão pouco tempo ela incutiu valor, princípios e ensinamentos que nem quarenta anos no palácio de Faraó, nem quarenta anos de pastoreio fizeram com que ele esquecesse dos ensinos da mãe. Com certeza Joquebede dizia; Filho você é HEBREU não EGIPICIO então honre seu povo e seu Deus.
• O escritor de Hebreus diz: “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão. Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.” (Hb 11.23-27). Moisés se tornou o maior legislador do passado e o mais íntegro dos homens do Velho Testamento pelos ensinamentos recebidos nos braços de sua mãe, que soube aproveitar o tempo para o ensinar a viver uma vida com Deus.
• Mães imitai Joquebede. Valorizai, compreendei e aproveitai o tempo da infância dos vossos filhos para lhes colocardes CRISTO no coração.
Ser mãe um dos trabalhos mais duros e menos valorizados que existe.
• Um estudo mostrou que uma mãe atua em várias áreas: Ela além de ter a responsabilidade de criar os filhos ela faz o papel de, cozinheira, faxineira, lavadeira, enfermeira, médica, psicóloga, economista e professora.
• Calcula-se que numa família se uma pessoa fosse contratada alguém para fazer cada uma dessas tarefas seria cerca de R$270,000 por ano ou R$ 22.500 por mês. Quanto é que uma mãe ganha para fazer tudo isso? Em termos financeiros – nada. Mas, ela não faz pelo dinheiro, ela faz por amor.
O mundo precisa de mães hoje mais do que nunca. Crianças e jovens de hoje enfrentam perigos cada vez maiores. Drogas Pornografia - Sexo antes do casamento – Aborto – pedofilia - homossexualismo novelas e filmes indecentes. Crianças são preciosas, frágeis e indefesas. Elas precisam de quem as ame e cuide pessoalmente de seus interesses. Elas precisam de quem mostre para elas que o que se vê na televisão ou aprende na escola nem sempre é certo. Elas precisam de quem lhes ensine o caminho do Senhor.

Deus vos abençoe

terça-feira, 4 de maio de 2010

A SALVAÇÃO

Quantos serão salvos?
Lc 13.22.30


• O texto que lemos nos informa que Jesus viajava pelas cidades e aldeias, ensinando e caminhando sempre em direção a Jerusalém. Sua viagem seguia um plano. Ele ensinava em locais em que ainda não havia ensinado com o objetivo de chegar a Jerusalém e ali sofrer e morrer. Jesus já tinha dito: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino.” (Lucas 12:32 ). Nas duas parábolas anteriores Jesus expressa claramente que o reino de Deus parte de uma coisa pequena como um grão de mostarda que depois de plantado faz-se uma grande arvore e como uma pequena medida de fermento que colocada numa grande quantidade de farinha faz com que ela cresça.

Nesta caminhada foi-lhe feita uma pergunta: “Senhor são poucos os que vão ser salvos?”
No texto Jesus não dá uma resposta direta à pergunta, mas enfoca
três aspectos importantes para aqueles que querem ser salvos.

1. A salvação não é tão fácil como parece (24).
• Lucas não identifica a pessoa que pergunta. Porém pela resposta do Senhor pode-se concluir que a pergunta não foi feita por algum leviano e sim por alguém que tinha intenções sérias. Porém, Jesus não se dirige particularmente à pessoa que perguntou, mas exorta os presentes a se empenharem seriamente para alcançar a salvação.
a. A salvação é pelo esforço:
• Para Jesus era certo que o reino de Deus cresceria sem cessar e que chegaria à perfeição, porém sabia que o ódio das autoridades judaicas não descansaria a ponto de se entender que somente os persistentes e esforçados alcançariam a salvação. No original o termo “esforçai” tem a ver com “entrar em uma competição”; “lutar com adversários”; “com dificuldades, perigos e com zelo extremo”. Por isso ao contrario do que muitos pensam, os discípulos do Senhor teriam que superar duras provas de fé em todos os tempos.
b. Porque a porta é estreita:
• A porta estreita é uma metáfora para a seriedade do ingresso no reino. Como a porta é estreita não se pode passar levando consigo o mundo e as vontades da carne. Temos de deixar tudo para traz: o pecado, as riquezas, os amigos, a família e a si mesmo. Muitos tentarão entrar por ela e não conseguirão, porque tentaram entrar sem empenho e seriedade. João Bunyan autor do clássico “O peregrino” diz: “existe uma entrada para o inferno junto as portas do céu”. A porta é Jesus. Ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo” (Jo 10:7-9). Não há meio termo ou alternativa. Só existe esta porta e ela é estreita.
2. A salvação não deve ser deixada para depois (25).
• Jesus alertou para que as pessoas se preocupassem com sua própria salvação, pois viria o tempo quando seria tarde demais e elas estariam completamente fora.
a. Porque a porta vai se fechar:
• O homem, em geral, gosta de ter muitas opções. Em matéria de religião é a mesma coisa. Muitos entendem que todas as religiões são boas e saudáveis e acabam participando de todas. Outros para não terem dificuldades fundem todas as religiões em uma e passa a viver um sincretismo religioso. Outros procuram deixar para pensar em religião noutra oportunidade. A cena é retratada pelo dono de casa que não abre a porta aos que querem entrar. Esta recusa está baseada no fato de que ele esperou até uma determinada hora. Vencido esse prazo ele se levanta, tranca a porta e nega qualquer outra entrada. Em termos figurados, trancar a casa significa o término da presente era mundial, quando já não será viável participar do reino de Deus. Por isso ninguém deve deixar passar o prazo atual de clemência. Cada um é exortado a converter-se antes que seja tarde demais.
b. E muitos ficarão de fora:
• Jesus descarta as possibilidades e opções que propomos. Pois de acordo com Ele existem somente duas possibilidades, ou entramos pela porta ou ficamos fora dela. Ou ficamos perto dele ou longe dele e sem Ele. Por isso ele insiste que devemos fazer uma escolha, pois, não se pode andar com ele num momento e depois noutro andar fazendo coisas que o desagrada. É significativo que Jesus expressa esse anseio na forma futura. Todos os que hoje não lutarem seriamente ficarão completamente decepcionados no futuro. Seus desejos e súplicas tardias serão sem êxito. Chegará a hora em que a porta estará fechada e os que batem nela serão rejeitados, ou seja, a hora em que será tarde demais. A duração do prazo de clemência não é definida com precisão, porém o Novo Testamento ensina que no retorno do Senhor ele virá para julgar e consumar seu reino então se encerrará este prazo. Quando o dono da casa fechar a porta, acaba o prazo da graça para o indivíduo.
3. A salvação não se consegue sem conversão (26-30).
a. Quem viver na superficialidade:

• O Senhor não reconhece demonstrações exteriores ou aqueles que apenas participam sem se envolver e se comprometer. Por meio das palavras “afastai-vos todos de mim, vós praticantes da injustiça!” ele revela a dura situação de que eles não têm o direito de invocá-lo como Senhor. Esse juízo severo consiste em não terem dado ouvidos ao chamado para o arrependimento e à pregação do Evangelho. Eles desprezaram a exortação de Jesus para um arrependimento íntegro e oportuno.
b. Não será reconhecido;
• As palavras de Jesus “Não vos conheço, não sei donde sois” provavelmente dirigem-se contra o orgulho. O povo judeu acreditava que, por ser povo de Deus e descender de Abraão, as pessoas chegariam sem problemas ao reino de Deus e não poderiam perder-se. Porém o Senhor pondera: “Eu sou o bom pastor e eu conheço os meus e os meus me conhecem” (Jo 10.14). Os excluídos que baterão sem sucesso à porta da casa ficarão fora da comunhão com os patriarcas e profetas e longe de Jesus viverão “o choro e o ranger dos dentes”. Ainda que muitos do povo judeu sejam excluídos da bem-aventurança, o número dos que alcançará a salvação não será insignificante. Do Poente, do Norte e do Sul, de toda a terra “senta-se à mesa” com os patriarcas no reino de Deus. João descreve este momento em apocalipse: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap 7:9-10). “E o Anjo lhe falou: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.” (Apocalipse 19:9).
CONCLUSÃO:
• A narrativa não diz nada sobre a impressão que o ensinamento de Jesus causou no desconhecido que fez a pergunta. Talvez, pelo fato de não ter tanta “luz”, luz que temos nos dias de hoje, ele não tenha sido capaz de entender todo o sentido das palavras de Cristo. Mas, é digno de nota que as palavras aqui expressas servem de alerta para todos que levam a vida de crente na brincadeira achando que a salvação, por ser de graça, pode se brincar com ela. João escreve: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1 João 3:6)
Deus abençoe
Pr Saulo César – ICE Campo Grande – Saulo@icecampogrande.com.br

Ester

A plena demonstração do cuidado de Deus
Et 4.1-17.


CONTEXTO HISTÓRICO: No terceiro ano de seu reinado Assuero deu dois banquetes. O Primeiro de 180 dias. O segundo de 7 dias. Nestes banquetes haviam músicas, danças, comidas, bebidas, presentes e orgias em excesso. No final da festa, o rei embriagado manda chamar a bela rainha para que todos vejam sua beleza. Mas, a rainha Vasti recusa o convite deixando o rei furioso. O Rei aconselhado pelos sábios destitui Vasti e depois cai em depressão.
É NESTE CENÁRIO QUE SURGE ESTER. Uma jovem judia que depois de ficar órfã foi criada pelo primo Mordecai. Seu nome judeu Hadassa significa “fragrância” e Ester, seu nome persa, “estrela”. Ester com aproximadamente 20 anos de idade foi levada com outras jovens para um concurso que elegeria a nova rainha da Pérsia. Sua incrível beleza e simpatia fizeram com que, entre 400 belas jovens, fosse a escolhida do rei.

O texto que lemos está no centro do livro.
Nele vemos Deus, mesmo não sendo citado, agindo.
Em três atos Ester é levada a cumprir as determinações de Deus.

1. Uma rainha preocupada (4.1-11).
a. Preocupada com seu parente (4.4-8).
• No cap. 3 vemos a atuação de Hamã o primeiro ministro de rei. Ele que era reverenciado por aonde passava viu Mordecai não se inclinava, nem se prostrava diante dele. Este fato fez com que ele ficasse furioso e teve como propósito, não só matar Mordecai, mas também todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero. Foi com este propósito que Hamã foi ao rei e disse que os judeus não respeitavam as leis persas porque as leis judaicas eram diferentes das leis de todos os povos, por isso deveriam ser mortos. Em compensação Hamã prometeu ao rei cerca de dez mil talentos de prata. Com a autorização nas mãos Hamã ordenou que num só dia
destruíssem, matassem e aniquilassem todos os judeus. Quando Mordecai soube da ordem, rasgou a roupa em sinal de tristeza, vestiu uma roupa feita de pano de saco, pôs cinza na cabeça e saiu pela cidade chorando. Quando chegou à entrada do palácio, ele não entrou, pois não podia entrar daquele jeito. Ao saber que Mordecai estava naquela situação na porta do palácio ele ficou preocupada e envia roupas apropriadas para que Mordecai entre no palácio para lhe expor o motivo da sua tristeza. Porém Mordecai não aceita. Com a recusa dele em aceitar as roupas, Ester então manda um dos seus eunucos para saber o que se passava com ele. Mordecai então mandou uma cópia do decreto que falava do extermínio dos judeus, e pediu a intercessão dela em favor do seu povo junto ao rei.
b. Preocupada com sua vida (4.10-11).
• Agora vemos uma Rainha preocupada com sua vida, pois havia uma lei que não permitia a quem quer que fosse aproximar-se do rei por vontade própria. A entrada na sala do trono a pessoas que não fossem anunciadas eram recusadas pelo rei, a fim de exaltar a sua realeza e proteger a sua vida. Por já terem decorrido 30 dias que Ester não era chamada na presença do rei, ela temia que a falta de interesse dele pudesse prejudicar o pedido como também leva-la a morte. E esse problema foi levado à Mordecai pelo eunuco.
2. Uma rainha confrontada (12-14).
a. Confrontada para examinar sua posição (12-13).

• Mordecai se indignou com a resposta de Ester e apela para o seu caráter. Pois, naquela situação de emergência ela poderia agir em favor de seu povo. Portanto esta era a hora de Ester. Afinal ela era uma judia e Mordecai mostra a situação perigosa na qual ela se encontrava e alerta “não imagina que só por estar na casa do rei escaparás”.
b. Confrontada para examinar sua atitude (14-15).
• Mordecai alerta também que sua recusa em ajudar o povo de Deus traria juízo divino sobre ela e sua família, enquanto que o livramento para os judeus aconteceria de um jeito ou de outro. “Quem sabe não foi para um momento como este que você chegou a posição de rainha?”.
O argumento de Mordecai foi claro. Ele mostra três aspectos importantes:
* Ester pode entender que era importante, mas não a única. "Porque se ela não falar Deus vai mandar outro socorro".
* Ester pode entender que se não fizesse algo, outro faria e seria abençoado em seu lugar e ela perderia a oportunidade de ser lembrada como uma benção. “Porém ela e sua casa pereceriam”.
* Ester pode entender que não estava no trono por acaso. “Pois quem sabe se para tal conjuntura é que foi colocada como rainha".
3. Uma rainha quebrantada (15-17).
a. Que buscou a presença de Deus (4.15-16a):
• O argumento de Mordecai além de claro foi irresistível. Depois de ser confrontada sobre a sua situação Ester se anima para salvar o seu povo. Esses fatos acontecem depois de quatro anos de Ester se tornar rainha. Era a hora de mostrar quem era Ester, que além de bela era patriota.
• Ester deixou a apatia e a indiferença para identificar-se com o povo de Deus. “Chega de vida fácil. Está na hora de expor o meu nome. Sou judia. Pertenço ao Deus vivo”. Ela não se apegou a sua beleza ou ao seu poder de persuasão, para chegar diante do rei, antes se apegou ao seu Deus. Disse Ester a Mordecai: Vai, ajunta todo o povo e jejuai por mim. Não comam nem bebam nada por três dias. Eu e as minhas servas também jejuaremos.
a. Que confiou na sua vontade (4.16b-17):
• Ester não se precipitou “Depois, irei ter com o rei”. Anteses e confiou “ainda que é contra a lei; se perecer, pereci”. Ela poderia se precipitar, ir logo falar com o rei, a situação era urgente, porém decidiu esperar no Senhor, e permitir que ele guiasse seus pensamentos, a formular o que tinha que fazer, e o que dizer ao rei. “Orem por mim. Jejuem por mim. Eu e minhas servas faremos o mesmo e veremos o que Deus fará”, depois disso falarei com o rei. Ester se entregou totalmente a vontade de Deus “se perecer, pereci”. Esta expressão não era de um fanatismo cego e sim de confiança da vontade soberana de Deus. Enquanto aguardava, escutava e sentia a presença e direção Deus, pensava jejuava e orava.
CONCLUSÃO:
• A obra que o senhor fez nesse dia de espera foi grande. Naquela noite o rei não dormiu, (nem Deus) estava com insônia, pediu que lessem os registros da história da Persa. Nessa leitura o inesperado (para Hamã não para nós) acontece. Ouvindo o rei o relato que foi salvo por Mordecai descobriu que nenhuma honra fora dado à ele. Hamã estava no pátio, o sol mal surgiu no horizonte lá estava ele. Estava ansioso para pedir a forca do seu maior inimigo. De repente ouve-se a voz do rei “mandem Hamã entrar”. “Esta é minha oportunidade”, pensa ele. Mas, antes de abrir sua boca o rei pergunta, “o que fará ao homem a quem o rei deseja honrar”, e ele mais que depressa pensou, “esse sou eu”, e respondeu “traga a vestes reais e que um dos príncipes do rei, vista esse homem, ponha-lhe a coroa real na cabeça, que monte também o cavalo do rei; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoe-se diante dele: Assim faz ao homem a quem o rei deseja honrar”.“Excelente idéia” disse o rei, “isso é fantástico. Hamã você não poderia ter pensado em algo melhor. Faça tudo isso, sem nada omitir a Mordecai”
Deus estava invisível, mas não passivo. Ele nunca descansa por isso não se esquece nem das suas promessas e dos seus inimigos. Por isso é bom esperar nele.
APLICAÇÕES PRÁTICAS:
1. Deus não necessita de nós para realizar sua obra; mas, pela sua bondade e para nossa alegria, nos escolheu para sermos úteis à sua obra.
2. Deus sabe que vivemos num mundo contaminado pelo pecado e cheio de maldade. Por isso, Ele frustra os planos dos maus e arrogantes e exalta aqueles que se humilham e lhe obedecem.
3. A perseguição contra o povo judeu e conseqüentemente sua extinção sempre teve por finalidade inviabilizar a vinda de Cristo. Porém, por mais que Satanás tente atrapalhar os planos de Deus, eles não serão frustrados.
4. Deus está no controle de tudo, mesmo quando Seu nome não aparece de maneira visível, Ele está agindo em secreto.

Deus abençoe
Pr Saulo César – ICE Campo Grande – Saulo@icecampogrande.com.br

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Meu Deus

O C E N T R O
Rm 11.33-12.2

A carta de Paulo aos Romanos é a mais longa e a mais profunda de todas as cartas que ele escreveu. Alguns consideram que “Romanos” é o livro mais importante da Bíblia. Lutero chegou a dizer que se todos os Livros da Bíblia fossem destruídos e que apenas o Evangelho de João e a Carta aos Romanos fossem preservados, ainda assim o cristianismo estaria a salvo. Assim como Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos narrando a vida e morte de Cristo, Paulo também, em Romanos, deixa o seu "O EVANGELHO” explicando a doutrina de Cristo.
Em Romanos Paulo apresenta o resumo da história humana
sob o ponto de vista bíblico e teológico. Nos três primeiros capítulos Paulo trata sobre o pecado. Ele relata que, mesmo Deus sendo apresentado ao homem, todos preferiram se afastar de Deus. Por isso todos pecaram, sofreram as conseqüências do pecado e carecem de Deus para serem salvos (3.23). Nos caps. 4 a 8 Paulo apresenta a solução para o pecado. Ele diz que o pecado somente é justificado pela fé no sacrifício de Cristo. Assim, onde abundou o pecado superabundou a graça (5.20) e que não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo (8.1). Nos caps. 9-11 ele aborda a questão de Israel. Israel rejeitou as promessas, a soberania e a justiça de Deus. Por ser incrédulo tropeçou, porém pelo seu tropeço veio a salvação ao mundo (11.12).
O texto que lemos é o centro da Carta aos Romanos ele encera a parte teórica e teológica e inicia a parte prática.
Mas, também neste texto Paulo faz referencia ao centro de todas as coisas, ou seja, o Eterno Deus. Nele Paulo ensina quem é Deus e como Ele deve ser cultuado.

1. Quem é Deus (11. 33-36).
A exposição feita nos capítulos anteriores exigiu de Paulo muita força e empenho, físico e espiritual. Mas, quando Paulo olha tudo que foi escrito, a obra torna-se poderosa demais para o próprio autor. Então ele passa louvar e considera o Criador da obra. Neste louvor ele considera os seguintes aspectos:
a. Deus é profundo (33). É como estar diante de um lago cujo fundo não pode ser visto. Pois apesar da água ser limpa ele é profundo. A riqueza, sabedoria e o conhecimento de Deus são profundos. Diante dela o ser humano reconhece seus limites. Seus juízos e caminhos são insondáveis e inescrutáveis. As palavras insondáveis e inescrutáveis significam a impossibilidade de ser averiguado e compreendido. Na verdade Deus satisfaz nossa fé, porém ele não satisfaz nossa curiosidade sobre Ele, pois isso é impossível. Os decretos eternos de Deus estão além da compreensão do homem, contudo são sábios e bons. Os atos divinos são todos misteriosos.
• Contemplamos Suas obras, no entanto por mais que nos esforçamos não conseguimos "como" foram feitas.
b. Deus é auto-suficiente: Três perguntas sublinham esta verdade: Quem, pois conheceu a mente do Senhor? Na verdade conhecemos Deus através das coisas por ele criadas, pelos seus feito e pelos seus decretos e leis. Mas, ir além disso, e tentar descortinar tudo o que passa na sua mente é loucura. Ou quem foi o seu conselheiro? Um governante terreno não pode ter seus olhos em todos os lugares. Por isso precisa de uma equipe de conselheiros. Suas ações e atitudes fluem dos conselhos e informações que eles trazem e dão. Deus, porém, tem os olhos sobre tudo e sobre todos. Quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? No seu governo Deus não é controlado por condições ou barganhas prévias. Ele não precisa afirmar-se perante ninguém. Não admite negociação em nada. As três perguntas chamam o ser humano, inclusive o mais sábio teólogo como Paulo, para uma reverência suprema. Paulo chegou a conclusão que por mais profundo fosse o seu pensamento, conhecimento e reconhecimento sobre a pessoa de Deus, ele ainda estava na superfície.
• Em 1Co ao falar sobre o amor ele dá base para esta argumentação: “em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” (1Co 13.6-13).
c. Deus é o centro: Apesar disso, Paulo não retira a validade de toda sua argumentação feita antes. Mas, exemplifica que a teologia precisa passar pela oração para que possa conduzir à adoração. Diante das profundezas, Paulo recebe a certeza de que Deus está integralmente no controle da história. Nenhum governo conseguirá impor-se a Ele. Deus é sobre todos. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. De acordo com esse “dele”, “por meio de” e “para ele”, O mundo se move. Não num movimento incerto, mas, dirigido e objetivo.
•Ele é o criador, o sustentador e o mantenedor do mundo. Deus é dinâmico e ativo. E todo esse dinamismo e atividade têm como objetivo conduzir o homem para Ele. Porque para ele são todas as coisas. Cumpre notar que essa onipotência desembocou integralmente em Cristo. Porque em Cristo Deus se revela e Nele não existe por parte de Deus nenhum mistério. Por isso, sejam dadas a Ele glória eternamente. Amém!

2. Como cultuar a Deus (12.1-2).
Partindo do pressuposto de quem Deus é a resposta que deve ser dada a Ele é o culto.
• Cultuar pela sua misericórdia de Deus: Uma parcela dos cristãos em Roma já vivia na fé há mais tempo que o próprio Paulo. Eram provados por perseguições e ricos em percepção espiritual e amor ativo. O fato de Paulo expor diante deles um grande sortimento de instruções não depõe contra o apreço que tinha por essa igreja. Por isso, não devemos presumir atrás de cada versículo problemas agudos em Roma. Afinal, exortação não é apenas para repreender problemas ou causadores de problemas, mas também para preveni-los. Por isso Paulo“Roga" (1). O sentido básico do verbo "rogar" da ideia de “anunciar”, “gritar”, “solicitar”, “exortar”. Porém, Paulo introduz toda a sua exortação na esfera do “Pai da misericórdia”. Assim, subentende que não é ele que está exortando mas, Deus. A MISERICÓRDIA significa não punição através da doação do perdão. Porém, não significa que Deus não age com autoridade. A MISERICÓRDIA não cai sobre nós como um anestésico, mas como quebrantador. O que Paulo objetiva na “misericórdia” é revelado pela expressão anterior “pois”, porque assim estabelece ligação com o campo de força anteriormente colocado.
• Com um culto racional: Os filósofos eruditos da época de Paulo, por serem contra os sacrifícios onde o sangue era abundante, pregavam um culto puramente a nível mental. Pois para eles deus era apenas um pensamento por isso, ao contrário de apresentarem um corpo desprezível, entendiam que o pensamento seria a dádiva mais sublime que se podia ofertar a Deus. É nesse sentido que glorificavam o “culto racional”. Ocorre que Paulo contraria bruscamente essa tendência da moda. Ele tira essa expressão dos filósofos e a preenche de forma nova: verdadeiramente “racional” é apenas um culto que responde de modo coerente e adequado à misericórdia de Deus em Jesus Cristo. Paulo traz a lembrança dos sacrifícios feitos nos cultos em que os corpos eram mortos sobre o altar. Porém, Paulo deixa claros que agora não trata de corpos de animais, mas sim do “nosso corpo”, e não se trata de corpo morto, mas de “sacrifício de corpo vivo”. Paulo não está convidando para o martírio, mas, à entrega do corpo e do corpo vivo. É como se exclamasse “Vivam para Deus!”. Com isso, o que Paulo vislumbra não é o culto delimitado, restrito a uma hora ou a um recinto, mas de vida inteira. É essa existência corporal do ser humano que está sendo solicitada. Não um corpo morto pelo pecado porém, comprado e vivificado pelo sangue de Cristo.
• Cultuar com consagração de vida: Esta consagração envolve corpo e espírito. O conceito que o cristão faz do corpo, como sagrado e templo do Espírito é único entre as religiões do mundo. Havia uma tendência de abusar do corpo por entenderem que este era essencialmente mau. Mas, Paulo pede que este sacrifício seja vivo para que o milagre da renovação e transformação seja visto e reconhecido como vontade de Deus. E não vos conformeis com este século, “não se amoldem ao padrão deste mundo”. O cosmos, uma vez criado belo e bom, não é mais um mundo sem problemas submetido a Deus. Por isso, precisa ser evitado para que seja experimentado a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Deus abençoe
Pr Saulo César - ICE Campo Grande - MS

A Paixão de Cristo

FOI POR AMOR - Mc 15.1-37
A páscoa é uma festa que Israel passou a realizar todos os anos para recordar o dia em que se libertou da escravidão do Egito. No dia da saída do Egito, cada família teve que preparar um cordeiro, assá-lo e comê-lo com ervas amargas. Comeram prontos para partir. Com sandálias nos pés, cinto na cintura e sem demora. Porém, Deus ordenou que o sangue do cordeiro fosse passado sobre as ombreiras das portas. Este seria o sinal para que o Anjo da Morte não entrasse na casa, pois vendo o sangue passaria sobre ela e não haveria morte entre eles. Pelo sangue do cordeiro foram livres da morte. Para isso, algumas providências foram tomadas.
• Escolheram um cordeiro perfeito (v. 5-6). Mataram o cordeiro (v.6). Aplicaram o sangue do cordeiro (7). Jesus foi o nosso cordeiro pascal.
• Um cordeiro perfeito. Que foi morto. E seu sangue, aplicado em nossos corações nos purifica do pecado e nos livra do inferno.

Por Amor Jesus sofreu e morreu! O texto de Marcos 15.1-37 nos revela o quanto ele amou:

1. Por Amor ele sofreu (15-21).
a. Ele foi torturado. A primeira tortura do condenado a cruz era a surra com chicote. A lei judaica orientava um açoitamento com critério. Usava-se um chicote com 4 tiras de couro e eram aplicadas 40 chibatadas. Porém, para o caso de não ultrapassar o limite da punição eles davam apenas 39. Mas, antes a pessoa era observada, para ver se suportaria o número de açoites. Se não pudesse suportá-los, o número era diminuído. Mas, muito diferentes e cruéis eram os açoites dos romanos. Para executá-lo eram usadas tiras estreitas de couro duro, trançados com pedaços de ossos e chumbos. Amarrado numa coluna baixa, com corpo curvado, o condenado era chicoteado por todos os lados. Não havia cautela nem limite de chibatadas. O limite seria o cansaço ou a plena satisfação da crueldade daqueles que davam a surra.
• As expressões mais usadas para ilustrar o sofrimento eram que o condenado era perfurado, dilacerado, recortado e moído. Suas veias e músculos ficavam expostos e muitos morriam diante da violência das chicotadas.
b. Ele foi ridicularizado: Para os romanos, o judeu era ser um desprezível. Agora os soldados tinham em suas mãos é o próprio “rei dos judeus”. Era preciso aproveitar essa oportunidade e dar vazão a sua crueldade. Com os meios que tinham à disposição, eles brincaram e humilharam o “rei dos judeus”. Vamos vestir o “rei” diziam. Neste “ato teatral” tiraram suas vestes e o cobriram com um manto vermelho usado pelos soldados. Agora vamos coroar o “rei” Então, ao invés de coroa de louros, foi feito uma de espinhos. Daqueles que cresciam em toda a Palestina e usados para acenderem fogueira e a cravaram em sua cabeça.
• Depois colocaram um caniço em sua mão e o saudavam (Salve, rei dos judeus) batiam na sua cabeça com o caniço, cuspiam e, pondo-se de joelhos, o adoravam.
c. Ele foi levado para cruz: Depois de terem feito a “festa” tiraram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Ele foi finalmente conduzido para fora dos muros da cidade para ser crucificado no Calvário. Nas ruas movimentadas de Jerusalém Roma demonstra o seu poder os gritos eram “Fora com ele!”. Mas, a concepção dos judeus, uma execução “fora do acampamento” significa eliminação completa de Israel (Lv 24.14). Não era apenas um ato místico, mas um rompimento concreto dos vínculos sociais, culturais e religiosos do condenado com seu povo. A distancia entre a Fortaleza e o Golgota era estimada em 600mts mas, dizem os historiadores que Jesus foi forçado a andar pelos ruas da cidade por cerca de 4 quilômetros. Isso depois de uma noite sem dormir, durante a qual foi escarnecido, ridicularizado e severamente golpeado. No caminho, Ele ficou incapaz de carregar a cruz. Então Simão o Cireneu que aparentemente estava vindo de encontro ao cortejo, NÃO ERA AMIGO NEM INIMIGO, foi intimado a ajudar.
• Simão teve a honra de prestar serviços, não aos soldados, mas ao “Rei dos Reis”. Seu nome ficou registrado “Simão Cireneu, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo”. Que HONRA.
2. Por Amor ele Morreu (22-37).
a. Ele foi pregado:
O peso que se dava à crucificação entre os romanos era enorme: Um certo discurso dizia: “Já é um delito algemar um cidadão romano, um crime chicoteá-lo, praticamente alta traição matá-lo. O que, então, direi da crucificação? Chama a atenção que os evangelistas são breves e sem dar lugar para descrições horripilantes, resumem tudo três palavras: “Então, o crucificaram”. Eles não mencionaram os sofrimentos físicos de Jesus. Podemos levar em conta, talvez para evitar mais sofrimentos, pois seus leitores tinham as imagens bem vivas diante dos olhos.
• Então, o crucificaram. Arrancaram-lhe as roupas do corpo, jogaram-no no chão, puxaram-no com os braços estendidos e pregaram. O corpo pendurado nela, foi içado e preso no chão. Para impedir uma morte rápida, afixava-se no poste um apoio sobre o qual o crucificado pudesse sentar.
b. Ele foi ultrajado: A principal razão para que crucificação fosse tão aceita como punição aos condenados estava na sua eficácia como tortura, humilhação e exemplo. Mas, principalmente a humilhação. O povo judeu, em particular, tinha aversão à cruz. Primeiro porque na lei dizia: “O que for pendurado no madeiro é maldito de Deus” (Dt 21.22-23). Segundo porque a cruz era motivo de vergonha, pois lá, na hora que a cruz era levantada e intimidade do condenado era revelada. Terceiro porque a lei judaica dizia que o cadáver não deveria permanecer na cruz, mas, enterrado no mesmo dia. Porém dizem os historiadores que os romanos, com freqüência deixavam os crucificados para servirem de alimento para pássaros predadores. Desse modo sua humilhação era completa. Por isso que nos evangelhos temos mais detalhes da humilhação do que das dores e sofrimento.
c. Ele foi morto: O relato acerca da morte de Jesus é breve e simples, mas reveste-se de uma silenciosa magnitude. Os Evangelhos em geral preferem mostrar que a morte era um ato espontâneo daquele que “empenhou sua vida” para a salvação do pecador. Em geral a morte na cruz era uma agonia lenta e torturante. Por isso os gritos de dor com o qual Jesus prenuncia a sua morte constituem algo marcante e profundo. Na sua morte ele BRADOU, GRITOU. Foi o bardo mais sublime que já se ouviu. O mais importante. ESTÁ CONSUMADO.

Na cruz em 6 horas de sofrimento Jesus não desperdiçou palavras.Em 7 frases ele disse somente o necessário:
1. Palavra de PERDÃO: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Jesus ensinou e praticou o perdão. Sua principal missão foi trazer o perdão para uma humanidade. Ele demonstra isto até em seu momento de agonia, orando ao Pai para que a atitude dos soldados, e de todos os que zombavam e escarneciam, não fosse imputada a eles.
2. Palavra de SALVAÇÃO: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Após dar o perdão dos pecados, Jesus abriu as portas do paraíso para o ladrão e conseqüentemente para todos nós (João 14.1-3). Temos acesso a Deus através dEle(I João 2.1), e a todas as bênçãos decorrentes. Podemos ter a certeza de que estaremos no paraíso, pois quem nos garante isto é Jesus.
3. Palavra de CUIDADO E PROTEÇÃO: “Mulher eis aí teu filho... Eis ai tua mãe”(Jo 19.27). Jesus recomenda sua mãe a João e João a sua mãe, proclamando a grande fraternidade da família de Deus.
4. Palavra de UM FILHO DEPENDENTE: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27:46). Jesus tomou sobre si os nossos pecados. Deste modo é inevitável a separação.
5. Palavra de UM HOMEM SOFRIDO: “Tenho sede!” (Jo 19.28). Para demonstrar sua humanidade na cruz estava um homem sedento. Para que se cumprisse a Palavra: “Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre” (Sl 69.21).
6. Palavra de UM TRABALHO REALIZADO: “Está consumado” (Jo 19:30). Jesus estava cumprindo um plano que havia começado milhares de anos antes no Éden ( Gênesis 3.15), na cruz este plano foi consumado.
7. Palavra de ENTREGA TOTAL: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46). Ao contrario dos homens que querem as honras para si, Jesus se entrega para o Pai. Toda a obra de redenção da humanidade partiu do coração do Pai (João 3.16), e é justamente a Ele que Jesus entrega o seu espírito.
Por Amor. Pela sua Igreja Ele fez tudo isso... E nós o que temos feito por Ele...

Deus abençoe
Pr Saulo César - ICE Campo grande - MS

terça-feira, 30 de março de 2010

O julgamento de Cristo

Meu Senhor foi entregue
Mt 26.47-27.26

Jesus viveu os seus últimos dias intensamente. Na noite anterior a prisão ele ceia com discípulos vai ao jardim de Getsêmani angustiado ora ao Pai e então é preso e levado ao sumo sacerdote. Jesus foi entregue. Esta verdade está bem clara nos seus últimos dias. Na noite de quinta para sexta-feira, no Getsêmani, ao pegar seus discípulos dormindo ele alerta: “Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.” (Mt 26.45). Ao romper da sexta-feira quando os principais sacerdotes e os anciãos entraram em acordo para o matarem: “amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos” (Mt 27.2). Após os judeus terem escolhido Barrabás: “Pilatos, depois de açoitá-lo, o entregou para ser crucificado.” (Mateus 27.26).
Jesus foi entregue julgado e condenado.
Vamos considerar os textos que relatam estas verdades:


1. Ele foi entregue por Judas (Mt 26.14- 26.47).
• Era um amigo: Foi escolhido por Jesus para ser apóstolo (Mt 10.4). Caminhou com Jesus. Ouviu seus ensinos. Compartilhou da mesma mesa. Esteve tão próximo de Jesus, no entanto, se perdeu.
• Era um ladrão: Com tesoureiro do grupo ele criticou Maria irmã de Lazaro, quando esta ungiu Jesus com um perfume valioso. Disse que poderia vender por 300 dentários e dar aos pobres. João comenta: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava.” Judas era “um ladrão” (Jo 12.6).
• Era ganancioso: A ganância tinha um preço. Em Mateus 26.14-16 ele estipula este preço. “Indo ter com os principais sacerdotes, propôs: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata”. Para ele, Jesus era apenas o meio desejado para satisfazer sua ambição e sua ganância. Agora, vendo a situação caminhar para um desfecho completamente diferente do que seu coração natural havia desejado, queria pelo menos tirar vantagem da posição que tinha ao lado do Mestre. A história de Judas ilustra bem os degraus de sua queda: Judas, o discípulo, o insincero, o ladrão, o traidor, o suicida!
• Traiu Jesus com um beijo: Sob o símbolo do amor e da amizade, aconteceu a ação mais tenebrosa da história da humanidade (Mt 26.47-50). Com toda razão este beijo de Judas tornou-se, desde àquela hora, expressão da traição e do fingimento. Mas, mesmo diante deste ato o Senhor age com amor e mansidão chamando-lhe de amigo. O sinal que Judas tinha a finalidade de evitar que Jesus porventura fugisse, enquanto um dos discípulos fosse aprisionado no lugar dele.
• E depois, com remorso enforcou-se (Mt 27.3-5). Quando se dá conta daquilo que provocou, Judas é tomado de desespero brutal. Ele vai correndo aos sumo sacerdotes e anciãos, arrependido da sua ação: Pequei, pois delatei sangue inocente! Uma terrível acusação aos sumo sacerdotes e anciãos. Mas ao invés de se assustarem, eles respondem friamente: Que temos nós com isso? O problema é seu! – Desse modo, eles revelam toda a sua maldade. Judas arremessa o dinheiro maldito contra o portal do templo. Depois foge em disparada.

Em vez de chorar como Pedro, em vez de olhar para Deus, olha somente para si e seu pecado. Antes, ao invés de procurar aquele que toma sobre si nossos pecados ele procurou aqueles que dizem: Que temos nós com isso? O problema é seu!

2. Ele foi entregue por Caifás (Mt 26.57-27.2).
• Caifás considerava Jesus culpado e buscava um pretexto para sua condenação. Segundo historiadores a “casa do sumo sacerdote” era uma residência luxuosa. Na parte de cima havia um espaçoso salão onde eram feitas reuniões e festas e na parte de baixo um alpendre cercado com um portão que dava para um grande pátio, em cujo “meio” os empregados da casa mantinham um fogo. E foi neste pátio que Pedro se encontrava. Pedro, talvez incomodado pelas palavras que Cristo havia dito e pelas suas respostas, ao contrário dos outros discípulos queria mostrar um comportamento diferente dos seus companheiros. No momento da prisão ele já se arriscara perigosamente por não querer admitir sua derrota. Só que seguir a Cristo “de longe” e se assentar junto com os curiosos não demonstra nenhuma fidelidade. Este “entre”, ligou Pedro, não aos que seguiam Jesus, mas àqueles que o rejeitavam.
• Na sua casa ele premeditou o mal: Olhando para o texto verificamos que não foi algo realizado sem pensar. Estava tudo planejado. O local estava preparado – O Sinédrio, principal tribunal judeu era composto por 71 membros, sendo que o número mínimo para tomar decisões era de 23 membros, Ali se reuniram todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas. O juiz – O júri e As testemunhas. Tudo funcionando pra quando a população acordasse pela manhã, já deveria deparar-se com fatos consumados.
• Ele violou a lei: Na literatura judaica foram encontradas 27 transgressões em relação ao julgamento de Jesus. Os itens mais mencionados são:
• A prisão só poderia ser feita em fragrante: Jesus foi preso às altas horas da noite no Jardim Getsêmani depois de estar orando;
• Processos importantes só podiam ser tratados de dia: O julgamento prosseguiu, às altas horas da madrugada de sexta-feira, sem investigação ou processo.
• Não poderia haver julgamentos no dia anterior ao sábado ou de uma festa importante: A prisão e julgamento de Cristo foram na véspera do sábado e da Páscoa.
• A condenação só tinha validade com testemunhas. A confissão não tinha validade. As testemunhas arroladas eram falsas e disseram palavras sem entendimento. Por isso, Caifás forçou a confissão.
• Blasfêmia tinha de incluir a menção expressa do nome de Deus. Caifás pergunta a Jesus – És o Cristo, o Filho de Deus? – e ele respondeu – Tu o dizes: Em verdade vos digo: doravante vereis o filho do homem sentado à direita do Todo Poderoso;
De acordo com todos os evangelhos, Jesus morreu por causa do seu próprio testemunho. Se ele tivesse negado as acusações, teria de ser libertado. Apesar disso, a coleta de provas que não deu em nada provou a inocência de Jesus. Como se dissesse: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46). Todavia, ele não tinha nenhuma intenção de salvar a sua pele. Ele estava disposto a “sofrer segundo a vontade de Deus”. Seu silêncio evidencia “sim” para o sofrimento, mas assim que a pergunta certa é feita, ele abre a boca para responder como “a testemunha fiel e verdadeira”: Jesus respondeu: Eu (o) sou. Neste instante o sumo sacerdote, que estava de pé rasgou suas vestes para demonstrar sua indignação. Assim ele demonstrou sua lealdade à lei, pois um homem religioso não podia ouvir uma blasfêmia sem este gesto de horror (2Rs 18.37–19.1).
• Ele expôs o Senhor ao escárnio: Sob esta impressão forte, Caifás pediu os votos de todos: Que vos parece? A sentença é pronunciada ordenadamente: E todos o julgaram réu de morte. Assim, o processo não produzira somente o motivo para uma crucificação pelos romanos, mas também para um apedrejamento pelos judeus (Lv 24.10ss). Como condenado, Jesus não tinha mais direitos. Quem quisesse podia descarregar nele suas raivas, e todos quiseram. Puseram-se alguns a cuspir nele. Da pena de morte também fazia parte a aniquilação moral. A cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! Jesus, porém, passou no teste à sua maneira e cumpriu Is 53.6.
• João informa que após o interrogatório “cedo de manhã” entre as 3 e 6 horas. Eles levaram Jesus para Pilatos, porém não quiseram entrar no palácio para não se contaminar. Os acusadores de Jesus se protegem da “contaminação”, que aconteceria com a simples entrada na casa gentílica, excluindo-os da participação na ceia da Páscoa. Que “hipocrisia”. Eles tinham inveja e egoísmo. Contudo, não queriam se “contaminar” por entrar numa casa gentílica. Queriam comer do cordeiro da Páscoa, mas entregam o Cordeiro de Deus à morte. Cumprem-se aqui as palavras do Senhor: “Guias cegos, que coam o mosquito e engolem o camelo! Que limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro deixam a sujeira!” (Mateus 23:24-25)

3. Ele foi entregue por Pilatos (Mt 27.11-26).
PILATOS era Governador romano da JUDÉIA.
a. Um político que querendo se livrar da culpa agiu politicamente: Com as autoridades: Para iniciar o interrogatório Pilatos perguntou a mesma coisa que Caifás “És tu o rei dos judeus”? Pilatos, portanto, não estava interessado em blasfêmia, mas na questão da revolta e traição contra Roma. Respondeu Jesus: Tu o dizes. Do mesmo modo como diante de Caifás, Jesus não negou diante de Pilatos. Pilatos, mesmo depois desta alegação entendia que Jesus não era nenhum criminoso, algo que ele já sabia bem antes. Porém, com sua atitude o levava diretamente para a morte. Parecia que ele queria se tornar um “rei dos judeus” crucificado.
• Os judeus, porém, não desistiam. Eles o entulharam de acusações de que ele colocava a ordem e a segurança em perigo. Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem! Jesus, porém, não respondeu palavra. O que Pilatos entendeu de tudo isso? Por um lado era óbvio que o acusado havia desistido da defesa própria, por outro, percebia que os líderes nada mais queriam que eliminar um rival.
• Com o povo: Pilatos percebeu que tudo aquele alvoroço poderia abalar sua própria posição. Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, qualquer que eles pedissem. Nesta situação, ele enveredou por um caminho em que ele dava a volta por cima nos lideres religiosos, satisfazia o povo e assim conseguir a libertação de Jesus. Ele passou o comando ao povo, para que este resolvesse a situação. Só faltava apresentar o outro candidato e havia um, chamado Barrabás, preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio. O lugar externo, diante do palácio se enchera de gente. Vindo a multidão, começou a pedir que lhes fizesse como de costume. E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que eu vos solte Barrabás ou Jesus o MESSIAS o CRISTO o REI DOS JUDEUS? Do modo mais desajeitado possível ele tentou influenciar a opinião da multidão, pois a alegação de “rei dos judeus” não era considerada séria, ao passo que do ponto de vista romano, Barrabás era perigoso. A intenção de Pilatos era separar o desejo do povo do desejo dos lideres religiosos, pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado. Mas estes incitaram a multidão para que soltasse Barrabás. De fato, a multidão, há pouco ainda afeiçoada a Jesus, voltara a seu primeiro amor. O zelotismo gozava naqueles anos e décadas de simpatia crescente. E o povo que vivia sofrendo sob a violência de Roma e que esperava sua libertação por meio de homens violentos, escolheram Barrabás.
• Mas Pilatos lhes perguntou: Que farei, então, deste a quem chamais o rei dos judeus? É claro que para Jesus só restava a morte. Só Pilatos ainda não queria entendê-lo. Eles, porém, clamavam: Crucifica-o! O povo judeu, como se soletrasse disse claramente “CRUCIFICA-O”. Pilatos ainda faz uma tentativa.. Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? Porém eles não querem mais saber de conversa. Conscientemente eles declaram culpado um inocente. “Declaram”, na verdade, é um elogio. E eles gritavam cada vez mais: Crucifica-o!
b. Lavando as mãos na água e sujando com sangue inocente (27.24-26): A fim de eximir-se da culpa Pilatos lavou as mãos. Para os judeus a ação de Pilatos era muito mais impressionante. Na lei de Moisés consta que quando se encontrar uma pessoa assassinada, da qual não se sabe quem a assassinou, os anciãos da localidade devem pegar uma novilha leva-la a um riacho e ali mata-la de modo que o sangue corra para o riacho. Depois disso todos os anciãos da localidade devem lavar as mãos sobre a vaca e dizer em alta voz: Nossas mãos não derramaram esse sangue e nossos olhos não viram esse crime. Ou seja, solenemente Pilatos imita esse costume judeu na sua cadeira de juiz: ‘Sou inocente desse sangue. Vocês são responsáveis’.
• Os judeus assumiram a culpa: Uma horrível resposta ecoa pelos ares: ‘Seu sangue venha sobre nós e nossos filhos!’ Jamais foi dita uma maldição mais horrenda. E jamais uma maldição se cumpriu de maneira tão terrível. Se aqueles que a proferiram esta maldição pudessem ver 40 anos à frente, talvez não tivessem dito. No final do ano 66 soldados romanos cercaram Jerusalém e suas casas reduzidas a cinzas. Durante o sítio, os moradores famintos eram caçados torturados e crucificados. Diariamente mais de 500 judeus eram crucificados. Quando, enfim, a cidade foi conquistada, a espada romana acabou tudo o que a fome e a peste ainda tinham destruído. De acordo com Josefo, 1,1 milhões de pessoas foram mortas durante todo o tempo do sítio. Os vitoriosos pouparam somente os homens ainda jovens e saudáveis, para transformá-los em escravos. 97.000 foram levados à escravidão. Contudo, para que todos esses escravos não superlotassem o mercado, milhares deles foram destinados a lutar no anfiteatro como gladiadores ou com animais ferozes. Os demais desapareceram nas minas da Frígia ou tiveram de prestar trabalhos forçados na construção do Coliseu. Porém, Pilatos sujou a mão com sangue inocente: Cada pessoa condenada à morte na cruz era primeiramente açoitada pelos romanos. Isso de fato aconteceu. Contudo, Pilatos tentou combinar ainda outro objetivo, qual seja, torturando Jesus, queria saciar a ânsia sanguinária da multidão e assim livrá-lo. A lei judaica conhecia e previa a pena do açoitamento. Porém, o açoitamento romano era muito diferente e cruel. Para eles não valiam as limitações e medidas de cautela. Sobretudo não havia uma legislação sobre o número de chibatadas. Um limite somente se alcançava quando os algozes estavam exaustos ou tinham satisfeito sua crueldade. Por isso o açoitamento era aplicado somente em estrangeiros e escravos, às vezes como preparação para a crucificação, outras vezes como tortura para forçar uma confissão. Para executá-la eram usadas tiras estreitas de couro duro, em que foram trançados pedaços de ossos, chumbos e espinhos agudos. O delinqüente era amarrado numa coluna baixa, assim que seu corpo curvado permitia ser alcançado pelas chicotadas de todos os lados. Testemunhas que presenciaram a morte de Policarpo e dos demais martires escreveram: “Dilacerados pelos açoites, a ponto de ser possível ver os vasos sangüíneos interiores e a estrutura do corpo, eles os suportavam de tal modo que mesmo os que estavam em redor tinham compaixão e choravam”. “até os ossos ficaram expostos”. As diversas expressões para designar essa punição falam uma linguagem inequívoca: “recortar”, “dilacerar”, “quebrar”, “moer”, “perfurar”, “lavrar”. As veias, os músculos, as entranhas ficavam expostas diante dos olhares apavorados dos espectadores. Não raro o delinqüente morria sob a violência das chicotadas.

O Filho de Deus foi açoitado. Pilatos considerava Jesus inocente e buscava uma saída. Porém Jesus foi “entregue”,
• AO ESCOLHEREM BARRABÁS, ESCOLHERAM...A violência no lugar do amor. A guerra no lugar da paz. A terra no lugar do céu
• ENTREGARAM JESUS para que o amigo dos pobres e rejeitados fosse afastado. Para que a verdade fosse abafada. Para que a voz da moralidade e da justiça se calasse.

Pr Saulo César - ICE Campo Grande

ABRAÃO - O Amigo de Deus


Meu Deus. Meu Senhor. Meu Amigo!
Gn 15.1-18


No boletim de março, a devocional, fala sobre a amizade e a benção de ter amigos, fazer novos amigos e conservar os velhos amigos. Lembro que terminei o texto questionando como está a nossa amizade com Deus. Muitas vezes não somos nós que escolhemos nossos amigos eles são quem nos escolhem. Lembro que seminário tínhamos vários amigos. A maioria ainda são nossos amigos. Mas, tem uma pessoa que é mais que um amigo tornou-se nossa filha. Não porque a adotamos, e sim porque nos adotou. A bíblia fala muito sobre amizade, principalmente em provérbios. Mas, em toda a bíblia apenas uma pessoa é citada como amigo de Deus, essa pessoa foi Abraão. E todas as citações são como forma de testemunho, algo para se ver e aprender. A primeira foi Josafá, que em dificuldade, clama ao Senhor e diz: “Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo de Israel e não a deste para sempre à posteridade de Abraão, teu amigo?” (2Cr 20.7). A segunda está em Isaias onde o próprio Deus dá o testemunho quando diz:“Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo,” (Is 41.8). A terceira está em Tiago, quando o apóstolo, faz referencia aos textos já citados para testemunhar da fé e da amizade de Abraão para com Deus. “Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus” (Tg 2.23). Abraão tinha vindo de uma terra onde havia vários deuses ali tinha deixado vários amigos. Mas, agora ele tinha UM DEUS, UM SENHOR E UM AMIGO.

Abrão e Deus eram amigos íntimos. Será que é possível ser amigo de Deus?
No texto que lemos verificamos que sim. Pelas seguintes razões.

• Abrão estava cansado e desanimado...
1. O amigo transmitiu coragem (1).
• Este foi o quarto encontro de Deus com Abrão. Abrão tinha cerca de 85 anos e Sarai sua esposa 75. Apesar de velhos não tinham filhos e viviam como nômades numa terra estranha. Ele tinha retornado da guerra em que se envolveu para resgatar o seu sobrinho Ló junto com a família. Ele soube que seu único parente próximo, que vivia em Sodoma havia sido levado preso numa ação de guerra. Armado com 318 homens, dos mais capazes, nascidos em sua casa, ele conseguiu trazer de volta a família do sobrinho e recuperar tudo. Na volta não aceitou o premio oferecido pelo rei de Sodoma, mas aceitou a benção e deu o dízimo daquilo que foi recuperado à Melquisedeque, rei de Salém, pois reconhecia ser ele Sacerdote do Altíssimo.
• Era noite estrelada, mas ele preferiu entrar na tenda. Deve ter entrado e depois acender o fogo, desenrolou a esteira se deitou sobre ela. Sara já devia estar dormindo, pois era tarde, mas o cansaço não o deixava dormir. Creio que seu cansaço não era pela idade, pois, Abrão apesar de não ser jovem era forte. O velho Abrão estava cansado da guerra, da longa viagem de volta e da vida que levava. Cerca de 10 anos já haviam se passado desde que foi chamado por Deus para ser uma benção. Os anos já haviam passado, tinha muitos bens, mas o que mais desejava ele não tinha. Sua esposa já estava desanimada por não ter filhos. Mesmo quando moravam em Ur dos caldeus, por já serem casados ela ansiava ser mãe.
É neste contexto que encontramos Abrão. Abatido, cansado e desanimado. NESTE MOMENTO QU O AMIGO APARECE. E diz:
a. Não temas eu sou teu escudo: Ao dizer que era seu escudo Deus, o AMIGO, quer deixar bem claro para Abraão que ele era seu protegido. Talvez Abrão estivesse receoso em relação aos inimigos que poderiam vir contra ele. Mas, em qualquer situação, seja em guerra ou em paz, O Senhor era seu escudo. Deus é nosso esconderijo: “Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido” (Sl 91.7).
b. O teu prêmio será muito grande: Abrão havia recusado o despojo da guerra, mas Deus não haveria de permitir que ele saísse perdendo e disse “o teu premio será SOBREMODO grande”. È como se lhe dissesse “Eu Sou teu premio”. Que bom ter um amigo assim. Amigo que nos protege e nos presenteia.
• Certa vez um menino entrou numa casa que vendia cachorros de estimação e perguntou o preço dos filhotes à venda. “Entre 30 e 50 Reais disse o dono da loja. O menino puxou uns trocados do bolso e disse: "Eu só tenho R$ 2,50, mas eu posso ver os filhotes? O dono da loja sorriu e chamou uma cachorra , que veio correndo com cinco filhotes. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, se arrastando pelo chão. Imediatamente o menino apontou aquele cachorrinho e perguntou: "O que é que há com ele?" O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, e que não tinha cura. O menino se animou e disse:-"Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!" O dono da loja respondeu:"Não, você não vai querer comprar esse. Se você realmente quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente." O menino olhando bem na cara do dono da loja, disse: -"Eu não quero de graça eu quero pagar por ele. Eu dou tudo o que tenho por ele. Mas, porque perguntou o dono da loja? Por que não vira mas ninguém para compra-lo. Eu sou sua única esperança.

Como amigo Deus nos comprou. Deu-nos vida. Como amigo o Senhor diz ao seu povo: “Não vos tive afeição, nem vos escolhi porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, ao contrário era o menor, mas eu vos escolhi porque vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais” (Dt 7:7-8).

• Agora Abrão estava cansado, desanimado e descrente...
2. O amigo semeou esperança (2-7).

• Perguntou a Abrão “que presente vou ganhar”? Ando sem filhos. Essa expressão significa "vou morrer" sem filhos. A tristeza de Abrão é que Eliezer, um servo que nasceu em sua casa e seu principal criado, segundo as leis das quais viviam, era quem herdaria seus bens.
a. Teu herdeiro será gerado por ti: "O criado não será o teu herdeiro, mas aquele que gerar de ti será, este sim, será o teu herdeiro". Eliezer poderia ser um bom homem. Um bom servo. Mas, Deus rejeita idéia que o escravo herde a benção destinada ao filho. Ainda mas que havia a promessa dada anteriormente: “Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência.” (Gn 13.14-16). Nisto consiste a grandeza de Deus. Ele não se esquece das suas promessas. “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15).
b. Tua descendência será como as estrelas; Deus convida Abrão para sair da tenda, olhar para o céu e contar as ESTRELAS, se as puderes contar. E concluiu: "Assim, será a tua semente". Deus convida Abrão para sair e deixar o medo, a incerteza e o desanimo. Sair da tenda significa ir além das possibilidades e da razão. É caminhar pela fé e ir além do limite da alma e da visão. È olhar o infinito a eternidade. O Senhor convidou Abrão para contar estrelas para revelar sua grandeza e seu poder. Talvez ele tenha até tentado contar, naquela noite ou em outra qualquer, quando se lembrava da promessa de Deus, mas se perdeu diante da imensidão do céu.

Contar estrelas significa reacender sonhos semear esperança. Você tem coragem de sair de sua tenda para olhar o céu? Não somente olhar, mas levantar a cabeça e começar enumerar. O verbo sair indica ação. Assim como foi com Abraão Deus nos convida para sair do comodismo da tenda e ir com Ele para contemplar o seu poder. “Abrão creu no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça.” (Gn 15.6).

• Agora Abrão estava renovado e confiante, mas curioso, queria saber os detalhes:
3. O amigo propõe um acordo (8-18).
• Abrão não exigia um sinal a fim de poder acreditar. Não era essa a questão, ele já havia crido. Por isso, Deus concedeu o sinal baseado na fé que possuía. A base de qualquer pacto feito por Deus, acha-se o Seu caráter, e é a isso que Deus se refere quando começa afirmando quem era. O nome Senhor Deus, “Adonai - em hebraico significa dono”. E como dono, Deus poderia, como fez, ter escolhido Abrão, tirado ele de uma terra, leva-lo para um lugar distante e dar a ele uma outra Terra.
a. Onde o sangue inocente foi derramado (8-11): Os pactos antigos eram, na maioria das vezes, confirmados ou selados através de cerimônias que envolvia sacrifícios de animais. Partia-se ao meio as vítimas do sacrifício colocava-se em ordem com as metades uma em frente da outra. Parece que Abrão já estava acostumado com estes pactos. Tanto que ao ouvir de Deus que ele deveria tomar uma novilha, uma cabra, uma pomba, e um cordeiro, ele já supôs que se tratava de um pacto fez tudo de acordo sem nenhuma intervenção Divina. Com um facão e vários golpes certeiros os animais foram abatidos e colocados em ordem. A idéia era que o mesmo fosse feito àquele que quebrar o acordo.
b. E por onde Deus teve que passar (selar) sozinho (12-18). Era costume depois de feito toda a preparação as duas partes acordadas passavam entre as fileiras dos animais. A noite se foi e outro dia iniciou e outro dia já estava findando. Abrão, depois de ficar espantando as aves por muito tempo e esperar a outra parte que não vinha, já sem forças, cansado adormeceu. Enquanto dormia Deus falou com ele.
• Haverá provação: - Tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos (v. 13);
• Haverá libertação e benção: Mas eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas (14);
• Haverá paz: E tu irás para os teus pais em paz; serás sepultado em ditosa velhice (15);
• Haverá julgamento: Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus (16).
• Abrão e abençoado com uma aliança unilateral. Pois, o Senhor passou por entre os pedaços.
• Note-se que apenas um símbolo foi visto a passar entre os pedaços, a saber, "a semelhança de um forno de fumo do qual saía chamas de fogo" (17).
• Isso indicou que apenas Jeová estava tomando parte no cumprimento de todas as condições que estavam ligadas ao pacto.
• O pacto da graça, conforme se vê, não é um pacto entre dois, mas do Senhor, para que sua promessa seja confirmada.

Assim como nós, Abrão enfrentou dilemas, tive dúvidas e questionou a Deus. Mas, teve fé e submeteu à sua vontade. Você quer viver melhor na terra? Quer ser mais feliz? Quer ter mais paz? Seja amigo de Deus.

Deus abençoe
Pr Saulo César - saulo@icecampogrande.com.br

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quem não tem pecado?

Que atire a primeira pedra
Jo-8.1-11
Esta história é conhecida como “a história da mulher adúltera”. Ela narra o encontro de Jesus com uma mulher que foi pega em adultério. Na ocasião alguns mestres da Lei junto com fariseus trouxeram a mulher e a obrigaram ficar em pé na presença de todos. Disseram que tinha sido apanhada em flagrante adultério e de acordo com a Lei de Moisés deveria ser morta a pedradas. Para isso queria o consentimento de Cristo.
Que lições podemos tirar deste encontro?
Poderemos tirar várias lições. Para isso quero compartilhar três momentos da história.

1. O momento do silêncio de Deus (1-6).
Quando o Antigo Testamento foi concluído, o último profeta que trouxe a mensagem de Deus foi Malaquias. Depois de Malaquias inicia-se o Novo Testamento com o Evangelho de Mateus. Mas, de Malaquias para Mateus existe um período de aproximadamente 400 anos chamado de INTERTESTAMENTÁRIO. Neste tempo Deus não mandou profetas na terra. Deus não ungiu reis. Deus não inspirou nenhum livro. Este período é conhecido como o tempo do silencio de Deus. Deus não falou, mas viu e agiu. Ele viu homens se passando por profetas e autoridades divinas. Ele viu reinos conquistando e sendo conquistados. Ele viu livros sendo escritos como inspirados. Ele viu tudo, observou tudo, mas permaneceu em silencio. Nesta história também temos o momento do silencio de Deus.
• Foi depois que retornou de madrugada ao Templo, e o povo se reuniu em volta para ouvir seus ensinamentos, algo que deve ter acontecido no pátio. Depois de ter seu ensino interrompido e ouvido tudo o que o grupo tinha a dizer Jesus em silêncio começa a escrever no chão. Mas o que ele via?
a. Ele via pessoas brincando com pecado;
• A mulher brincando de adulterar; Jesus, via ser trazido diante dela uma mulher israelita, filha de Abraão. Como pode alguém que teve, em muitas oportunidades, ensinos sobre a lei, sobre o amor e a obediência a Deus se deixar levar por uma atitude tão baixa. Será que esta mulher pensou que poderia ficar impune. Com certeza ela deve ter pensado “nunca serei pega”. Ela foi ela para cama com um homem que não lhe pertencia. Ela com certeza estava brincando com o pecado.
• O adúltero brincando de esconde-esconde; E o homem, este Jesus nem via em sua frente, mas como Deus com certeza sabia quem era e onde se encontrava. Este israelita detentor de todos os privilégios que a Lei lhe concedia como judeu e como homem, não soube lidar com os benefícios da Lei. Por isso, pela Lei também deveria ser julgado. Mas, onde estava ele. Como homem se deitou com uma mulher que não lhe pertencia, mas não foi homem suficiente para se apresentar para ser julgado.
Este casal brincava com o pecado. Brincava com fogo. Mesmo sabendo que poderia se queimar.
b. Homens brincando de religiosos;
• Eles vieram trazendo só a mulher; Não é dito quando e como essa mulher foi flagrada no adultério. No entanto, escribas e fariseus haviam se apoderado dela e a feito ficar de pé no meio de todos. Deve-se imaginar um círculo de ouvintes em torno de Jesus e um espaço vazio, no qual é colocada a mulher. Em voz alta é proclamada sua infâmia, enfatizado especialmente em tom acusador o “apanhada em flagrante”. No seu zelo hipócrita não se apercebiam do fato de estarem levantando um problema de natureza moral no lugar mais sagrado da terra: o Templo. Para os inescrupulosos e legalistas, não precisa haver nem lugar nem hora para exibirem sua religiosidade falsa. O primeiro erro foi que apresentaram somente a mulher. A lei era clara “Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera” (Lv 20.10). “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, ambos morrerão o homem e a mulher” (Dt 22.22).
• Vieram com segundas intenções; Esses homens nem estão preocupados com o pecado e o combate a ele. Para isso eles não precisariam de Jesus. Está em jogo para eles a luta contra Jesus. Esperavam pegá-lo de maneira inescapável.Se Jesus recomendasse a clemência, ele se colocaria em oposição à lei de Moisés. Se ele recomendasse o apedrejamento entraria em choque com a jurisdição romana, que reserva para si o direito de aplicar pena de morte. Alem de que Jesus iria contra seus próprios ensinos, pois dizia que veio ao mundo para salvar o pecador.
• Eles não perceberam que agindo assim condenavam não a mulher, e sim eles. Afinal, torna-se claro que seu zelo não se dirige realmente a Deus e aos mandamentos de Deus, mas é governado pela mentira e pelo ódio. Como é terrível quando se luta contra uma pessoa que odiamos, tentamos usar o próprio Deus para atingirmos nosso objetivo. Este foi seu segundo erro.
Jesus então escreve com o dedo na areia e o gesto os incomoda.
Incomoda porque não atende as exigências dos homens. Eles querem palavras não silêncio.
Mas, Jesus apenas observa em silencio.

2. O Momento da razão (7-9).
a. Onde o pecado achou o pecador;
• No Livro de Números Moisés, depois de delegar obrigações e responsabilidades para o povo, pronuncia um principio que se aplica muito bem a esta história. Disse Moisés: “Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o SENHOR; e sabei que o vosso pecado vos há de achar.” (Nm 32.23).
• O ódio era patente e persistente. De uma forma ou outro Jesus tem de ser forçado a responder. Será que Jesus poderá escapar? Será que ele está em silêncio por embaraço? Ou será que “escreveu” algo significativo na areia? Com essa atitude Jesus mostra o quanto ele se considera afastado de toda a hipocrisia de seus adversários. Depois, porém, quando os inquiridores continuaram a pressioná-lo, ele se põe de pé. E agora se a resposta que faz ruir toda a trama e que subitamente transforma os adversários triunfantes em derrotados e condenados: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra”. A Lei dizia: “Por depoimento de duas ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por depoimento de uma só testemunha, não morrerá. A mão das testemunhas será a primeira contra ele, para matá-lo; e, depois, a mão de todo o povo; assim, eliminarás o mal do meio de ti.” (Dt 17:6-7)
b. Onde ninguém ousou de atirar pedras;
• Jesus não a contradiz Lei Ele AMPLIA. Uma adúltera em Israel merece a sentença de morte. Pois bem, levem a lei a sério, comecem com o apedrejamento! Porém – o primeiro dentre vocês a lançar uma pedra, seja aquele que for sem pecado! “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5:27-28). A acusação não deu em nada porque não havia acusadores, Porque todos pecaram. Todos são mentirosos, acusadores, adúlteros. Os religiosos de Israel, que com toda a certeza mantiveram a fidelidade matrimonial são réus no juízo do Sermão do Monte, motivo pelo qual nenhum deles pode atirar a primeira pedra contra a mulher adúltera. Perante todos está a grande pergunta: onde, afinal, se pode achar o perdão? Jesus é a única resposta a essa pergunta. Por isso ele profere o perdão para a única pessoa que permaneceu diante dele. Porém a história ainda não acabou, Falta o último momento.

3. O Momento do Perdão (10-11).
a. Onde o pecador é livre do pecado;
• A mulher não saiu com os outros. Não fez uso da oportunidade para escapar. Poderia ter fugido, mas não conseguiu afastar-se de Jesus. Ainda tinha ouvido a palavra do “Mestre”. Ele ainda não tinha decretado seu veredicto sobre ela. O único que poderia acusar era ele porque não tinha pecado. Porém Jesus não veio para condenar e sim para salvar. E foi isso que fez. Com amor salvou a mulher. Seu amor foi demonstrado pelo perdão. Jesus não trata o pecado levianamente, nem o desculpa. Ele tomara o pecado dela sobre si. Para Jesus prevalece nitidamente o que mais tarde Paulo expressará em tons doutrinários: “Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Pessoas exteriormente limpas e “boas” não são interiormente diferentes que os “pecadores” manifestos, trazendo profundamente dentro de si o gérmen de todos os pecados.
b. Mas, não adquire licença para pecar;
• Da mesma forma que ninguém tem o direito de acusar, o pecador regenerado, restaurado, justificado e perdoado por Cristo NÃO TEM O DIREITO DE PECAR. Jesus depois do perdão não da nenhuma certidão de que autoriza o pecado. Quando eu era jovem eu tinha a carteirinha de SAPO. Em tom de brincadeira esta carteirinha dava o direito a quem possuísse de entrar em qualquer conversa, em qualquer brincadeira, em qualquer recinto (aberto ou fechado), sem ser convidado. Neste caso a mulher pecadora não teve nenhuma carteirinha. Ela foi orientada por Cristo “Vai e não peque mais”
Com soberania de juiz, Jesus proclama a sentença de soltura: “Vai!”. Havia perigo pela frente, mas na ordem divina reside simultaneamente a força para enfrentá-lo como a disposição para cumpri-la.

Deus abençoe
Pr saulo César - ICe Campo Grande

segunda-feira, 8 de março de 2010

O SONHO DE NABUCODONOSOR












Eu Sou Deus
Não há outro Deus semelhante a mim
Dn 4.1-37

• NABUCODONOSOR Imperador babilônico entre 605-562 a.C. foi quem ele destruiu Jerusalém e levou o povo de Judá para o CATIVEIRO. Seu nome significa: NEBO protege o teu servo. NEBO o deus da Babilônia, corresponde ao deus Hermes dos gregos, Mercúrio dos romanos e Tote dos egípcios. Sobre Nebo e os outros deuses equivalentes Isaias profetiza em Is 46.1sg... Bel se encurva, Nebo se abaixa; os ídolos são postos sobre os animais, sobre as bestas; as cargas que costumáveis levar são canseira para as bestas já cansadas.
• Conta-se que quando os babilônicos, pressentindo o perigo, ao ver seu reino ia ser invadido pelos Medos e Persas, em meio ao perigo e a fuga decidiram salvar os seus deuses. Então deuses foram colocados sobre animais à frente da multidão em fuga. Como os deuses eram muito pesados, os animais se cansaram e fuga tornou-se muito lenta. O povo foi alcançado, vencido e escravizado. E assim, os deuses, ao invés de salvação tornaram-se um empecilho para a multidão.
Para que NABUCODONOSOR entendesse que o Senhor é Deus e não há outro Deus semelhante a Ele, foi necessário que passasse por três momentos.
1. Um rei atormentado (1-18).
• É de se estranhar que, mesmo sendo ditas por Nabucodonosor, as primeiras linhas do quarto capítulo, apresenta linguagem familiar ao povo de Deus e não ao pagão. Mas, não nos devemos esquecer, todavia, que este escrito foi relatado por Daniel de um testemunho do rei já acontecido e que Daniel exercia influência sobre o rei e que a linguagem teocrática do edito provavelmente se deve à influência de Daniel. NO PRIMEIRO MOMENTO VEMOS UM REI ATORMENTADO:
a. Pelo seu sonho (3-5): Nabucodonosor assevera que estava tranqüilo e feliz na seu palácio quando teve um sonho (se fosse no nosso contexto ele estaria na sua rede tereré ou a toa na vida vendo a banda passar). Este sonho o atormentou. A noite, quando estava no seu leito , seus pensamentos e as visões que vinham na sua cabeça o amedrontavam, assustavam e amedrontado não conseguia dormir. Quem nunca ficou assim depois de um sonho?
b. Porque os sábios não podiam interpreta-lo (6-7): Desesperado o rei, em um decreto, diz que mandou chamar todos os sábios da Babilônia, para que eles lhe explicassem o sonho. Então vieram então os sábios, os adivinhos, os astrólogos e os feiticeiros, e o rei contou o sonho, mas nenhum deles pôde explicá-lo. Pode ser que, pelo que já havia acontecido no cap. 2, e por já saber que o rei não tolerava a mentira e que a verdade era dura de ser falada e de ser ouvida, preferiram se omitir.
c. Pelo medo da interpretação (8-18): O rei reconhecia que só Daniel "aquele que possui o Espírito do verdadeiro Deus” poderia interpretar o sonho. Talvez o motivo pelo qual o rei não convocou Daniel imediatamente tenha sido, não que ele se esquecera de Daniel, mas por haver medo da sua interpretação.
• Nos versículos 10-18 é relatado o conteúdo do sonho. Fala de uma árvore que ocupava uma posição de destaque. Porém, um vigia veio e mandou derrubar a árvore deixando somente o tronco e as raízes até que cumpra o tempo determinado (ou períodos de tempo, cuja duração não é declarada).
• Nabucodonosor preferiu ouvir primeiro seus sabios e feiticeiros porque preferia ouvir palavras de homens e não Deus.
Mas, Daniel era um profeta de Deus.
Suas palavras eram Palavras de Deus. Ele não mentia. Não passava a mão na cabeça. Ele não estava ali para enaltecer o ego do rei e sim para dizer a verdade.
2. Um rei aconselhado (19-27).
• Ao ouvir a descrição do sonho, Daniel ficou perplexo, pois ele mesmo desejava o bem para o rei, mas percebeu que o sonho continha o anúncio de um julgamento contra o rei da parte de Deus. Mas, passa a falar.
a. De forma amorosa e sábia (V 19b): Daniel dá uma lição de como aconselhar. Suas palavras não foram de julgamento e condenação. Ele disse não se preocupe com o sonho nem com o que ele quer dizer, mas, quem dera que o sonho e a sua mensagem não fosse a respeito do rei, mas a respeito dos seus inimigos. As palavras de Daniel não demonstram medo e sim amor. Ele amava o rei, preferia que o sonho fosse endereçado para outro, porém, o pecado deveria ser exposto e a verdade dita.
b. Com palavras verdadeiras e oportunas (20-26): A verdade deveria ser dita. E Daniel foi verdadeiro. A árvore que cresceu e se tornou forte; vista por toda a terra e que dava sustento, sombra para os animais era o rei. "Tua grandeza cresceu e chegou até ao céu, e o teu domínio, até à extremidade da terra". O vigilante, o santo, que dizia para cortar a árvore e deixar o tronco e raízes até que passem sobre ela sete tempos é "O Altíssimo que virá contra o rei, expulsando-o do meio dos homens para viver com os animais, até que se cumpra o tempo e reconheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.
c. Com advertência para correção (V 27). Geralmente é assumido que, se Nabucodonosor se tivesse arrependido, seria afastada a calamidade ameaçada. Entretanto, o texto, não menciona o afastamento do julgamento predito, e sim, que Deus poderia dar a ele um tempo maior de tranqüilidade. Pois, julgamento adiado não significa que não haveria julgamento. Ele viria a fim de conduzir Nabucodonosor ao conhecimento do verdadeiro Deus (25).
Em outras palavras Daniel dizia:
Arrependa-te, para de praticar o mal e pratique o bem.
3. Um rei arrependido (28-37).
a. Que reconheceu sua soberba:
O versículo 30 deveria ser observado, visto que reflete com exatidão a atitude de Nabucodonosor. Ele era primariamente um edificador, e não um guerreiro, e suas próprias declarações, preservadas em inscrições cuneiformes, mostram seu orgulho na cidade e no palácio que ele reconstruiu.
b. Após passar pelo julgamento previsto: sobreveio a Nabucodonosor conforme fora predito, e ele foi expulso do meio dos homens, aparentemente afetado da enfermidade conhecida como licantropia (33).
c. Ter o coração transformado: No fim do tempo predito, voltou ao rei a sua razão e com um coração de fé louvou ao verdadeiro Deus (34-37).
Pr Saulo César
ICE Campo Grande - saulo@icecampogrande.com.br